O tório vem ganhando espaço nas pesquisas sobre o futuro da energia nuclear por seu potencial de contribuir para ciclos de combustível mais eficientes, sustentáveis e com características favoráveis à gestão de rejeitos. No Brasil, país que possui importantes recursos desse elemento, a Coppe/UFRJ amplia sua atuação nessa fronteira tecnológica por meio do Laboratório de Design de Reatores (LaboraThorium) e de iniciativas voltadas à retomada das pesquisas nacionais sobre o ciclo do tório.
A relação do Brasil com essa tecnologia não é recente. Estudos sobre o uso do tório como combustível nuclear remontam à década de 1950 e ganharam força a partir de 1965, com a criação do Grupo do Tório, dedicado à investigação das possibilidades de aproveitamento das reservas brasileiras e à produção de urânio-233 a partir do elemento. Esse histórico é apresentado no artigo científico “Thorium as nuclear fuel in Brazil: From 1951 to 2023”, publicado em 2024 na revista Nuclear Engineering and Design.
Diferentemente do urânio-235, o tório-232 não é um material físsil e, portanto, não sustenta diretamente uma reação nuclear em cadeia. Ele é considerado um material fértil: ao capturar um nêutron no interior de um reator, pode dar origem ao urânio-233, que é físsil e pode ser utilizado para a geração de energia.
Esse processo é um dos motivos pelos quais o tório desperta interesse no desenvolvimento de novos ciclos de combustível. Estudos brasileiros já analisaram sua utilização em diferentes configurações, incluindo reatores de água pressurizada e pequenos reatores modulares. A literatura científica também destaca o potencial do combustível misto de tório e urânio em conceitos de SMRs.
Segundo o professor Giovanni Laranjo, coordenador do LaboraThorium, uma das vantagens está na possibilidade de reduzir a produção de determinados radionuclídeos de longa duração quando comparada a ciclos convencionais.
“O tório produz menos materiais de vida longa do que o urânio tradicional. Isso significa um volume menor de rejeitos que precisam ser destinados a depósitos geológicos e monitorados por longos períodos.”
Embora o ciclo do tório continue gerando materiais radioativos que exigem gerenciamento adequado, sua composição pode apresentar vantagens para estratégias de longo prazo.
O interesse pelo tório também está relacionado à busca por tecnologias capazes de melhorar o aproveitamento dos recursos naturais e contribuir para a evolução da energia nuclear de baixo carbono.
Nos ciclos convencionais de combustível nuclear, somente uma parcela do potencial energético do material é efetivamente aproveitada. Sistemas avançados e ciclos fechados, por outro lado, podem permitir o reaproveitamento de materiais e ampliar significativamente a utilização dos recursos disponíveis.
“Hoje, a discussão sobre o tório envolve não apenas segurança, mas também sustentabilidade e melhor aproveitamento do combustível nuclear”, destaca Giovanni, professor do Programa de Engenharia Nuclear da Coppe/UFRJ.
Outro aspecto estudado é a proliferação nuclear. O ciclo do tório apresenta características diferentes do ciclo tradicional do urânio-plutônio, o que influencia a composição dos materiais produzidos e as estratégias necessárias de salvaguardas e segurança.
Parte das pesquisas internacionais envolvendo tório está associada aos reatores de sal fundido, uma das tecnologias investigadas para as próximas gerações de sistemas nucleares.
Nesses conceitos, sais fundidos podem desempenhar funções relacionadas ao combustível e/ou à transferência de calor. Uma característica importante é a possibilidade de operação em pressões inferiores às encontradas em determinados reatores convencionais, além da incorporação de sistemas passivos de segurança.
Entre as características que explicam o interesse por esses projetos estão:
Isso não significa que uma usina deixe de precisar dissipar o calor produzido. A quantidade de água necessária e a forma de rejeição de calor dependem da configuração de cada projeto.
Nesse cenário, a Coppe vem estruturando sua capacidade para atuar no desenvolvimento de tecnologias nucleares avançadas. Inaugurado em 2025, o LaboraThorium foi concebido para desenvolver projetos de reatores avançados, incluindo pequenos reatores modulares (SMRs), microrreatores e conceitos associados à chamada Geração IV de reatores nucleares.
O laboratório prevê infraestrutura de computação de alto desempenho (HPC) para a realização de simulações complexas, permitindo estudar diferentes configurações de núcleos, combustíveis e sistemas de reatores.
“A ideia é estudar como tornar os reatores mais eficientes, melhorar o aproveitamento do combustível e trabalhar em tecnologias inovadoras. E o tório é uma das principais linhas dessa pesquisa”, explica Giovanni.
O uso de ferramentas computacionais tem papel importante nessa área. Pesquisas brasileiras anteriores já envolveram o desenvolvimento e a utilização de códigos para análises neutrônicas e termo-hidráulicas de reatores e de combustíveis contendo tório. O artigo científico anexado, por exemplo, apresenta trabalhos com ferramentas como SERPENT, MCNP e STC-MOX-Th.
A atuação atual também recupera uma importante trajetória científica nacional. O Grupo do Tório, criado no fim de 1965, surgiu em um momento no qual o país avaliava alternativas para garantir o suprimento de combustível para seu nascente programa nuclear. Na época, as estimativas de recursos brasileiros de tório estimularam estudos sobre sua utilização para geração de energia.
Décadas depois, a Coppe/UFRJ participa da retomada dessa agenda por meio do LaboraThorium e de uma articulação nacional que reúne universidades, centros de pesquisa e instituições do setor nuclear.
A cooperação com instituições como a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) contribui para fortalecer a formação de pesquisadores, recuperar conhecimentos desenvolvidos historicamente no país e criar novas competências para projetos de reatores e ciclos de combustível.
O interesse pela tecnologia não se limita ao Brasil. Países com diferentes estratégias nucleares vêm desenvolvendo pesquisas relacionadas ao tório e a conceitos avançados de reatores.
A Índia, que dispõe de grandes recursos de tório, incorporou o elemento à estratégia de longo prazo de seu programa nuclear e desenvolveu projetos voltados à sua utilização. A China investe em pesquisas envolvendo reatores de sal fundido, enquanto outras experiências internacionais investigaram combustíveis contendo tório e diferentes configurações de reatores.
Esse movimento demonstra que o tório permanece como uma alternativa relevante nas pesquisas sobre a evolução dos sistemas nucleares.
Para o Brasil, avançar nessa área significa não apenas avaliar uma alternativa de combustível, mas também desenvolver conhecimento próprio em uma tecnologia considerada estratégica.
O país possui uma longa trajetória científica relacionada ao tório. O estudo anexado reúne essa evolução histórica, desde as primeiras iniciativas brasileiras na década de 1950 até pesquisas recentes sobre combustíveis, reatores e ciclos nucleares, evidenciando a continuidade do interesse científico nacional pelo tema.
Com o LaboraThorium e a articulação de pesquisadores e instituições nacionais, a Coppe/UFRJ contribui para abrir um novo capítulo dessa história, combinando simulação computacional, engenharia nuclear, formação de especialistas e desenvolvimento de tecnologias avançadas.
Em um cenário global marcado pela necessidade de ampliar a geração de energia de baixo carbono, as pesquisas com tório ajudam a posicionar a universidade e o Brasil no debate sobre a próxima geração nuclear — buscando soluções que conciliem segurança, sustentabilidade, eficiência e melhor aproveitamento dos recursos naturais.
Documento para consulta: Thorium as nuclear fuel in Brazil: From 1951 to 2023, publicado em Nuclear Engineering and Design, volume 419 (2024), artigo 112912. O estudo apresenta uma revisão histórica das pesquisas brasileiras sobre tório e reúne referências a diferentes projetos, tecnologias e estudos desenvolvidos no país.
Acesse a pesquisa AQUI!
Fonte: COPPE
O 22º Rio de Transportes acontecerá nos dias 4 e 5 de dezembro de 2025, no Museu do Amanhã
Confira as datas importantes do evento:
01/07 - Abertura do Sistema para Submissão dos Trabalhos;
05/09 - Prazo Final para Submissão dos Trabalhos;
03/11 - Divulgação dos RResultados;
045/12 - Início do Congresso.
Atenção! O site do 22º Rio de Transportes já está no ar.
O evento será realizado de forma Híbrido, nos dias 04 e 05 de dezembro de 2025, no Museu do Amanhã, na Praça Mauá, 1 - Centro, Rio de Janeiro - RJ. Não Fique de fora!
O 22º Rio de transportes acontecerá nos dias 04 e 05 de dezembro de 2025.

O evento será realizado de forma Híbrida, nos dias 04 e 05 de dezembro de 2025, no Museu do Amanhã, na Praça Mauá, 1 - Centro, Rio de Janeiro - RJ
Saiba MAIS sobre o local da realização do 22º RDT.
O Museu do Amanhã não conta com estacionamento próprio, mas existem estacionamentos particulares na região. O mais próximo fica no edifício RB1 (Av. Rio Branco, 1), a cerca de 100m da entrada do Museu.
O congressista de Niterói, Ilha do Governador e Paquetá pode usar a barca até a Praça XV. De lá até o Museu do Amanhã há a opção de caminhada (cerca de 20 minutos) ou ônibus (cerca de 20 linhas ligam a Praça XV à Praça Mauá).
Existem bicicletários na Praça Mauá que somam 120 vagas para ciclistas.
Consulte o site Vá de Ônibus para saber qual a melhor opção de linha para visitar o Museu.
Da Central do Brasil, pegar o VLT Linha 3 Amarela - sentido Santos Dumont; fazer transferência na Estação Cinelândia com a Linha Azul e pegar o VLT sentido Terminal Gentileza ou caminhar cerca de 25 minutos.
A partir da Estação Uruguaiana, há duas opções de caminho a pé:
Para chegar de VLT, pegue uma composição da linha 1 (azul) - sentido aeroporto Santos Dumont ou sentido Terminal Gentileza – e desça na "Parada dos Museus". A estação fica cerca 200 metros de distância do Museu do Amanhã. Visualize o mapa das paradas.
O aeroporto mais próximo do Museu do Amanhã é o Santos Dumont, a cerca de 3,5km de distância. Endereço do Aeroporto Santos Dumont: Praça Senador Salgado Filho, s/n° - Rio de Janeiro, RJ. De lá é possível pegar o VLT e descer na “Parada dos Museus”.